Os Cinco Enterros de Pessoa

Drama da heteronímia e dos fantasmas

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Poucas vezes acontece
Que ao morrer um poeta
Sejam necessários 5 caixões.
Como poucas vezes acontece
Que um poeta seja morada
Para que vivam nele,
Para que trabalhem a vontade
E durmam quando queiram
Sem pagar aluguel,
Sem ameaças do dono,
Outros 4 poetas.

Juan Manuel Roca

Para o Teatro Tierra a literatura é uma fonte permanente de inspiração. Nesta obra, o grupo tem navegado pela existência fascinante e dramática de Fernando Pessoa, o escritor que conversa com o espírito do tempo como se fosse um contemporâneo dele nas diversas épocas.

O Teatro Tierra mergulhou na obra e na vida do poeta, -nas obras e nas vidas dele-, visitou Portugal e seguiu seu rastro nos documentos que sobre ele se conservam em Lisboa. Sua vida, sua agonia, seus últimos instantes, o esplendor e a névoa de sua existência encarnados no drama desse Pessoa que era tantas pessoas.

Uma das característica de sua obra é a pluralidade de suas criações, múltiplas personalidades, poetas diferentes, com obras diversas, mundos próprios, biografias particulares e acontecimentos únicos. São já célebres vários heterónimos pela sua relevância literária, Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Bernardo Soares, Abílio Quaresma e o Fernando Pessoa mesmo, ele e os outros, cobertos pelo mesmo fato de tons escuros, pelo mesmo chapéu amachucado, num mesmo corpo.

A montagem

Poeta essencial, atemporal, sua palavra ressoa na alma das épocas, criando novas expectativas e transcendendo além da brevidade da vida. Nesta montagem, sua vasta obra e seu complexo existir são vistos a través da luz de um olhar que penetra na encruzilhada de alguém que é dono de mil e uma personalidades, e ao mesmo tempo, de nenhuma. Seu labirinto psicológico e a habilidade para ser os outros sem se diluir na alteridade, viram-no no poeta do visionário e imprevisível.

Para a conceber e escrever esta peça teatral, Juan Carlos Moyano obteve o apoio Iberescena para escritura dramatúrgica 2015. O poeta colombiano Juan Manuel Roca deu nome à obra, sendo esse o título de um de seus poemas, dedicado ao ilustre lisboeta. A montagem se fez graças ao Incentivo para a Criação Teatral do Ministério da Cultura. Igualmente, é uma coprodução do Festival Iberoamericano de Teatro e o Teatro Mayor Julio Mario Santo Domingo.

O poeta

Erudito, poliglota, solitário, viveu só 47 anos, logrando com a sua escritura pluridimensional, condensar as dúvidas, incertezas, medos e encruzilhadas do ser humano. Ao mesmo tempo, soube tomar as tradições literárias de sua época e as anteriores como próprias. A existência dele decorre entre a amada Lisboa, cidade cuja fundação mítica é atribuída a Ulisses, e Durban, na África do Sul, onde morou durante a infância e juventude por um tempo. Em vida publicou somente um Livro, Mensagem, embora depois de sua morte, em 1935, se tem desempoado um baú com mais de 25.000 páginas suas, que constituem una soma de textos múltiplos de incalculável valor literário. Sem dúvida, Pessoa é o maior poeta português de todos os tempos.

Dados Artísticos:

Prêmio: Apoio à Escritura Dramatúrgica Iberescena 2015

Direção e dramaturgia
Juan Carlos Moyano

Atores
Mario Miranda
Joan JiménezÇ
David Rosero
Clara Inés Ariza
Julia Rosero
Stephany Rugelis
Estefanía Torres

Cenografia
Guillermo Forero

Desenho de máscaras e vestuário
Carlos Rojas

Música
David Díaz

Músicos no palco
David Díaz
Jhonatan Martínez

Confecção do vestuário
Jaqueline Rojas e Confecciones Romanoff

Luzes:
Humberto Hernández

Desenho Gráfico
Sol Baltazar

Coprodução:
Ministerio da Cultura
Teatro Mayor Julio Mario Santo Domingo
Festival Iberoamericano de Teatro de Bogotá
Cooperativa Confiar
Teatro Tierra

O diretor

Juan Carlos Moyano, diretor teatral e escritor, tem se dedicado nos últimos 40 anos às artes dramáticas. Entre as suas montagens postas em cena destacam-se: Os ritos do retorno ou as armadilhas da fé (Sor Juana Inés de la Cruz), O Anão, (Par Lagerkvist), Poema trágico para circo e teatro (Mayakovski), Os Demônios (F. Dostoievski), Memória e olvido de Úrsula Iguarán (versão de Cem anos de solidão), Sexus (Henry Miller), A Voragem (José Eustásio Rivera), A montanha dos signos… e ainda mais meia centena de espetáculos programados em turnês, temporadas e festivais de teatro.

Como escritor tem publicado os livros, Espectros (livro de poemas), A paixão das luas, Guia para Sonâmbulos e Na linha Beduína (livros de contos), Ponto de Fuga (novela), e Arte de lavoura (ensaio e obras de teatro em comemoração dos 25 anos do Teatro Tierra).

“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo”.

Alvaro de Campos

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